top of page

Setembro Amarelo e Valorização da Vida: cuidar de si também é prevenção

Foto do escritor: Tatiane Volff
Tatiane Volff
9 de set.
3 min de leitura

Falar sobre Setembro Amarelo é falar sobre cuidado, prevenção e, principalmente, sobre a importância de olhar para a própria vida com mais atenção.

Durante muito tempo, falar sobre sofrimento emocional foi tratado como sinal de fraqueza. Muitas pessoas aprenderam a suportar em silêncio, continuar trabalhando, cuidar da família, cumprir responsabilidades e seguir a rotina mesmo quando, internamente, algo já não estava bem.

Por isso, a valorização da vida precisa ir além de uma campanha realizada apenas durante o mês de setembro. Ela precisa fazer parte do nosso cotidiano.

Valorizar a vida também significa perceber como estamos vivendo.

Nem sempre o sofrimento aparece de maneira evidente. Uma pessoa pode sorrir, trabalhar, conversar normalmente e, ainda assim, estar enfrentando ansiedade intensa, tristeza profunda, sensação de vazio, exaustão ou desesperança.

Alguns sinais podem indicar que algo precisa de mais atenção, como alterações importantes no sono, mudanças de humor, irritabilidade frequente, dificuldade de concentração, isolamento, perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas e uma sensação constante de cansaço emocional.

O cuidado começa quando conseguimos reconhecer esses sinais sem ignorá-los.

Cuidar de si não é apenas descansar

Quando falamos em autocuidado, muitas vezes pensamos em descanso, lazer ou momentos agradáveis. Tudo isso pode ajudar, mas cuidar da saúde mental envolve algo mais profundo.

Cuidar de si também significa reconhecer limites, aprender a dizer não, compreender as próprias emoções, perceber pensamentos que estão aumentando o sofrimento e avaliar quando é necessário buscar ajuda.

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, entendemos que pensamentos, emoções e comportamentos estão constantemente relacionados.

A forma como interpretamos uma situação influencia diretamente como nos sentimos e como reagimos a ela.

Uma pessoa que pensa constantemente “eu preciso dar conta de tudo”, por exemplo, pode começar a ultrapassar seus próprios limites. Com o tempo, o corpo e a mente podem responder com ansiedade, irritabilidade, exaustão ou sensação de fracasso.

Por isso, algumas perguntas podem ser importantes:

Como eu tenho me tratado nos últimos dias?

Tenho respeitado os meus limites ou estou constantemente ultrapassando todos eles?

Tenho conseguido descansar sem sentir culpa?

Quando algo me incomoda, eu consigo falar sobre isso ou guardo tudo para mim?

Tenho procurado ajuda quando percebo que sozinho está ficando difícil?

Essas perguntas não servem para gerar cobrança, mas consciência.

Nem todo alívio significa cuidado

Outro ponto importante é observar a maneira como lidamos com emoções difíceis.

Quando sentimos ansiedade, tristeza, solidão, frustração ou vazio, é natural procurarmos alguma forma de aliviar essas sensações.

O problema acontece quando determinadas estratégias começam a se transformar em fuga.

Uso excessivo das redes sociais, jogos, apostas, compras impulsivas, álcool, excesso de trabalho ou isolamento podem oferecer um alívio momentâneo, mas não necessariamente resolvem aquilo que está acontecendo emocionalmente.

Por isso, uma pergunta pode ajudar muito:

O que esse comportamento está tentando aliviar em mim?

Às vezes, compreender essa resposta é o primeiro passo para mudar um padrão.

Pedir ajuda também é uma forma de cuidado

Existe uma ideia equivocada de que precisamos procurar ajuda somente quando chegamos ao nosso limite.

Não precisamos esperar o sofrimento se tornar insuportável.

A psicoterapia pode ser um espaço importante para compreender emoções, identificar padrões de pensamento, desenvolver novas estratégias de enfrentamento e construir uma relação mais saudável consigo mesmo.

Em algumas situações, também pode ser necessária uma avaliação médica ou psiquiátrica.

Buscar ajuda não significa incapacidade. Significa perceber que existem momentos em que não precisamos enfrentar tudo sozinhos.

Também é importante criar e manter uma rede de apoio. Conversar com alguém de confiança, permitir-se ser ouvido e compartilhar aquilo que está difícil pode reduzir significativamente a sensação de isolamento.

A valorização da vida acontece nas pequenas escolhas

Valorizar a vida não significa estar feliz o tempo inteiro.

Significa compreender que emoções difíceis fazem parte da experiência humana e que podemos aprender a atravessá-las com mais recursos e apoio.

Significa cuidar do sono, do corpo, dos relacionamentos, das emoções e dos próprios limites.

Significa perceber quando algo não está bem.

Significa não transformar sofrimento em silêncio.

E também significa lembrar que pedir ajuda pode acontecer antes da crise.

Talvez uma das perguntas mais importantes durante o Setembro Amarelo seja:

Como eu tenho cuidado da vida que estou vivendo?

A resposta pode revelar muito sobre aquilo que precisamos começar a transformar.

O Setembro Amarelo termina, mas o cuidado com a saúde mental precisa continuar durante todo o ano.

Em situações de sofrimento emocional intenso ou risco imediato, procure ajuda. No Brasil, o CVV oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188. Também é possível buscar atendimento nos CAPS, Unidades Básicas de Saúde, UPA, pronto atendimento ou SAMU 192.

Tatiane VolffPsicóloga Clínica e Palestrante


 
 
 

Comentários


whatsapp-icone-2.png
  • Facebook
  • Instagram

Horário de funcionamento

Segunda à sexta-feira: 8h às 18h

Horário Clínico: 8h às 21h

Sábado e Domingo: Fechado.

© 2026 Dynâmica & Saúde. 

Entre em contato

E-mail: tatianevolff@gmail.com

Tel: (41) 99742-0474

bottom of page